quinta-feira, 25 de julho de 2013

OBSERVAÇÕES DE JUNHO, AS LIÇÕES VIRÃO POSTERIORES A ELE

Os levantes populares iniciados no Brasil em Junho de 2013 – uma “brisa” dos levantes em outros continentes como a primavera Árabe – colocam no cenário nacional uma perspectiva pré-revolucionária, mas o prefixo “pré” e uma condicionante que deixa muitos partidos atônitos. Quando se poderia excluir-se esse prefixo?

Muito do que o camarada Trotsky se pôs a se debruçar sobre os fatos decorridos até a revolução de Outubro de 1917 e suas lições em livro “As Lições de Outubro” podem nos dar bases para melhor analisar esse momento:

“(...) foi precisamente esta falta de maturidade que deu aos revolucionários pequeno-burgueses, defensores dos direitos históricos da burguesia no poder, a possibilidade de dirigir o povo, pelo menos aparentemente. O que não significa que a Revolução russa tivesse necessariamente de trilhar a via que na realidade veio a tomar de Fevereiro a Outubro de 1917.” (Leon Trotsky, As Lições de Outubro)

Com a saída às ruas da população nas grandes metrópoles do País apresentando a indignação pelas péssimas condições do transporte público e um aumento monetário de R$0,20, somaram se a essas muitas outras indignações e no fato dessas massas se posicionarem contra os governantes – pseudo-esquerda e direitistas – surgiu uma palavra de ordem do meio dessa massa: “sem partido”, mas pelo fato de ter surgido do meio dela não quer dizer que é invenção dela, no máximo foi aceito por ela.

Essa posição de “anti-partido” afetava diretamente os partidos de esquerda – que estão fora da direção estatal – demonstrando assim uma confusão nessa posição: como ser contra os governos e rechaçar os partidos que não fazem parte desses governos e que sempre estiveram nas lutas populares de rua principalmente? Apesar disso, alguns partidos do campo da esquerda oportunamente – pra não dizer oportunista – ouviram o clamor das massas e se aliaram a elas para reforçar o coro “sem partido, sem partido, sem partido...”

A empolgação das mobilizações, sem direção, ou pelo menos é isso que a direita reacionária queria reforçar para que o levante tivesse um objetivo não declarado que seria aproveitado por ela em momento oportuno, pelo desgaste dos governos - também - da burguesia que estão no poder.

O posicionamento em favor de um discurso reacionário anti-partido de organizações de esquerda e reforçados com o argumento de que as organizações têm que se “reinventar” e saber “ouvir” e “falar a língua das massas”, baixando as bandeiras vermelhas, mas justificadas por outras siglas: “a nossa é amarela”, mesmo assim as baixou, demonstra o grau de flexibilização de princípios para se vêem reconhecidos pelas massas resultando em votos e cargos na estrutura do estado burguês. A nosso ver há o abandono definitivo de uma revolução socialista, pois as massas não querem um novo regime, querem esse regime mais humano, como se isso fosse possível.

A constatação de uma crise existencial de certas organizações que se dizem de esquerda está a cada dia mais às claras, outra observação que reforça essa afirmação é o fato de alguns partidos vêem nos atos após as passeatas de quebra de vidraças de lojas, saques, pichações é uma “amostra” de um sentimento da massa de que é um movimento anticapitalista, ingenuidade ou mais uma vez oportunismo dessas organizações?

Voltamos a afirmar, ainda é cedo para tirar lições de junho, no máximo as mobilizações, nesse momento - contra os governos e os partidos da burguesia estão sendo questionados pelo povo que a cada dia se encontra sem educação, sem saúde, sem transporte, etc enquanto seus governos esbanjam gastos e arrecadação de impostos.

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