sábado, 27 de abril de 2013

PT 10 ANOS DE GOVERNO NEOLIBERAL, VEJA PRA QUEM ESSA ESTRELA BRILHOU.

Acabou de sair a Edição Especial do Opinião Socialista, com 24 páginas debates sobre os dez anos de governo petista. 

LEIA NESTA EDIÇÃO: PARA QUEM BRILHOU A ESTRELA DO PT?
:: Um reformismo quase sem reformas
:: PT troca socialismo por desenvolvimentismo? 
:: Na contramão das lutas globais 
:: O caos da saúde pública 
:: O apartheid na educação 
:: A corrupção do PT no poder 
:: Um país sem reforma agrária 
:: Um país endividado 
:: A política econômica do PT 
:: O Brasil continua desigual 
:: O modo petista de privatizar 
:: A reorganização sindical nos governos do PT 
:: A juventude não parou de lutar 
:: Mulheres: nada a comemorar 
:: E o racismo continua 
:: Homofobia cresceu nos últimos dez anos 
:: Um país menos soberano 
:: A necessidade de uma Frente de Esquerda 
:: Um programa dos trabalhadores 
:: PSTU, o partido do socialismo

Adquira o seu exemplar deixando seu contato aqui.

domingo, 21 de abril de 2013

AGENDE DE MOBILIZAÇÕES EM IMPERATRIZ


A semana de 22 a 26 será cheia de atividades em Imperatriz. Com as greves dos professores e da Saúde municipal e o inicio da greve dos profissionais da educação da rede estadual, sem esquecer do movimento estudantil que deve fechar a semana com o II Apitaço #foraVBL vamos à agenda:

22/04 – 8h00min – Café da manhã entre professores em greve em frente à mansão (de R$29.000 reais) do prefeito Sebastião Madeira/PSDB;

23/04 - 8h00min – PIQUETE dos trabalhador@s da saúde e professores na câmara Municipal durante a sessão que deve votar o projeto rebaixado de reajuste salários dos profissionais;

24/04 - 8h00min – Concentração de professores e alunos da rede estadual na Praça da Bíblia Bacuri para protestar contra a proposta do governo Roseana/DEM do estatuto do educador do estado;

24/04 – acontece em Brasília uma grande marcha dos trabalhadores de todo o Brasil contra a política econômica do governo Dilma Roussself/PT;

26/04 – 08h00min – Caminhada de prefessores(estadual e municipal) e saúde à BR-010, concentração na frente do sede do STEEI;

26/04 – 17h00min – II APITAÇO #FORAVLB, concentração na frente da UFMA;

OBS 1: Os professores manterão o piquete na Câmara Municipal em todos as sessões até que o projeto seja julgado;

OBS 2: Essa lista será atualizada à medida que soubermos de outros pontos de mobilização na cidade, fique atento e vamos fortalecer a luta dos trabalhadores de nossa cidade.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A APATIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL NA SOCIEDADE NEOLIBERAL

A história da luta de classe no Brasil é escrita por muitos momentos onde a juventude teve um papel importante contra a ditadura militar e contra os ataques dos governos mais reacionários que já governou o país. Conseguiram, nas lutas, fortalecer duas das principais entidades estudantis (UNE-União Nacional dos Estudantes e UBES-União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) durante a década de 80.

Apesar dessa história de luta ao lado de movimentos sociais, de sindicatos e a sociedade civil hoje a juventude estudantil não é mais reconhecida com uma força de questionamento, de transgressão ou de liberdades sociais. Hoje essas mesmas entidades estão atreladas aos governos neoliberais que atacam a escola pública, precarizam o ensino em todas as esferas nas barbas dessas mesmas entidades e da juventude estudantil apática diante dos ataques.

Já na década de oitenta artistas, principalmente músicos, usaram letras que questionavam a apatia da juventude frente aos fatos que ocorriam na falsa democracia burguesa brasileira.

“Pois aquele garoto/Que ia mudar o mundo/Mudar o mundo/Agora assiste a tudo/Em cima do muro/Em cima do muro... (Ideologia, Cazuza)”


As universidades de hoje são indústrias de geração de mão de obra para o mercado (de reserva), onde o principal objetivo que a juventude busca na universidade é um pedaço de papel que lhe dê condições de disputar com milhares de outros jovens uma vaga de trabalho. A universidade deixou – em sua maioria esmagadora – de ser um local de construção de pensadores para a transformação social, no máximo querem se conectar a sociedade da barbárie que é a apresentada pelo modo de produção capitalista.
Fruto desta formação pensada para a manutenção de uma juventude despolitizada, alheias aos questionamentos da sociedade e à atuação como seres de uma classe – grande parte da classe mais explorada, os operários – se reflete nas discussões que a cada dia vem se fortalecendo com a hegemonia da economia capitalista e a ideologia neoliberal, a do “apartidarismo”, do fim da história, de que todos têm as mesmas oportunidades quem não as conquistou é porque não quis. Dizer que isso é “anarquismo” é uma grande burrice, os anarquistas não pregam seu descolamento da luta de classe, do apartidarismo no sentido de que não fazem parte de uma classe social explorada e para isso precisam estar unidos para o confronto contra o Estado.

O movimento estudantil, dentro das escolas e universidades, tem o principal motor para a transformação da sociedade, a juventude: 

“Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética.” (Che Guevara)

As criticas de alguns marxistas em relação à juventude e o movimento estudantil, pelo fato de não estarem de forma direta sendo explorados pelo modo de produção e, segundo esses “não serão capazes de iniciar o movimento revolucionário” cai em contradição ao vermos na história a juventude estudantil ao lado dos operários nas grandes greves e ao lado das lutas dos campesinos pelo direito à terra.

Mas a história não acabou! Todos os dias nascerão novos jovens, novas entidades estudantis (ANEL-Assembleia Nacional dos Estudantes Livres) e o papel que elas tem e os partidos políticos, o meio acadêmico e o instinto natural da juventude a busca por uma ideologia pra viver, pode até não ser o socialismo ou o capitalismo, mas o próprio capitalismo os empurrarão para a busca de uma nova sociedade, que com toda certeza será uma sociedade sem exploração e com as liberdades imposta pela maioria.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

PRIMEIRA AVALIAÇÃO SOBRE A ADESÃO DA GREVE DA EDUCAÇÃO DE IMPERATRIZ


Primeira avaliação do Comando de Greve do Steei aponta mais de 80% de adesão dos Trabalhadores da Educação à paralisação. As poucas escolas abertas estão com o quadro de professores e demais trabahadores bastante reduzido. A tendência é que no decorrer do dia também não funcionem. Daqui a pouco mais informações. Luta que segue.





Todos os pais de alunos e alunas, vamos apoiar os professores, com esse apoio fortalecemos a categoria em busca de direitos e pressionamos o governo municipal para que o movimento vença mais rápido

domingo, 14 de abril de 2013

ATO #FORARENAN, João Lisboa - Imperatriz


Após um chamado virtual via facebook alguns estudantes, militantes políticos, universitários se aglomeraram na calçada em frente ao Tocantins Shopping – local escolhido pelas organizadoras – a fim de o grupo se manifestar a cerca da manutenção no cargo do atual presidente do Senado Federal, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de peculato (quando servidor utiliza o cargo para desviar dinheiro público), falsidade ideológica e uso de documento falso.

Organizado pelas estudantes secundaristas: Paulla Diaz, Priscila Martins e Ana Karlla, ambas da cidade de João Lisboa, a 12 km de Imperatriz, fato que causou surpresa para quem compareceu. Municiadas de cartazes e nariz de palhaço que compareceu ficou até as 18 horas no local expondo os cartazes e dialogando com as pessoas que se aproximavam para expor sua opinião e apoiar a iniciativa. Estamos aguardando as fotos e vídeos do ato para darmos repercussão.

Isso demonstra que a cada nova geração de estudantes o sentimento de rebeldia é natural na juventude, já dizia Che Guevara: “Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética” e as meninas de João Lisboa deram um prova disso.

Devo publicar um texto semana que vem com o título “A APATIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL NA SOCIEDADE NEOLIBERAL” em primeiro momento pode ser uma crítica, mas não é, procuramos fazer um breve relato do que observamos sobre a juventude estudantil de hoje. Em uma palestra ouvi a seguinte frase: “Sou o pessimista teórico, mas um otimista prático”, é por ai mesmo. Apesar de termos uma avaliação negativa do movimento na última década precisamos reconhecer as iniciativas pontuais de alguns.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

GREVES: ABRIL VERMELHO

Uma grande ferramenta da classe trabalhadora, a greve, vem sendo a única forma de forçar os governos a negociar de forma que contemple a conquista de direitos e avanço na remuneração dos trabalhadores.

A lei que o então governo Lula tentou aprovar em 2007 e que Dilma quer agora desengavetar estabelece uma série de pré-requisitos para a deflagração de greve, que praticamente torna proibida a paralisação. Apesar de ter uma mulher como presidente, o governo sinaliza sua intenção de desencavar o projeto de lei para "disciplinar" as paralisações. Ações que incluíram o corte dos salários e um decreto que permite convênios com estados e municípios para a substituição dos funcionários parados.

GREVE DA EDUCAÇÃO

Em assembléia geral no último dia 10/04 os trabalhadores da educação municipal decidiram pela paralisação por tempo indeterminado após uma longa espera pela apresentação de uma contraproposta do poder executivo rebaixada ao que foi apresentado pela direção.

Quase a totalidade das escolas em Imperatriz é municipalizada (privatizada) isso resulta numa vinculação com os profissionais do ensino quase que privado, ou seja, o assédio moral aos trabalhadores é dado através dos diretores dessas instituições mais explicitamente. Além de um domínio maior dos pais, com uma propaganda terrorista de que a possível paralisação vai prejudicar a vida educacional dos estudantes, onde a principal “culpa” é dos professores.

A greve é necessária, caso contrário as perdas se acumularão tanto na qualidade do ensino como na qualidade de vida dos profissionais que a todo dia faz o impossível para transformar o ensino precarizado promovido pela gestão municipal num exemplo de superação.

GREVE NA SAÚDE

O Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde – SINDSAÚDE após a mobilização em Brasília pela jornada de 30 horas e pressionar os parlamentares a votarem o PL 2295/00 no primeiro semestre deste ano. Informaram através de suas dirigentes Margarida e Francineide que todos os tramites legais para realização de uma paralisação de advertência de 24 horas que terá inicio na próxima segunda-feira (15/04). O encerramento da paralisação coincidirá com a seção da câmara municipal que deve votar o projeto de lei encaminhado pelo poder executivo que prevê reajustes ínfimos do que reivindica a categoria.

Como forma de retaliação do poder executivo municipal já teria avisado aos trabalhadores da saúde que a adesão à paralisação terá como conseqüência o corte do ponto, fora os assédios morais intensificados, ação comum nessa gestão do PSDB.

O sindicato promete devolver o valor descontado no contracheque daqueles que fortalecerem o movimento a fim de forçar o governo garantir o que é de direito à categoria, mantendo assim, conquistas para todos os trabalhadores.

SIMPROESSEMA E SUA “GREVE”

A direção do SINPROESEMMA(PCdoB), para defender um possível governo do PCdoB leva a categoria à greve para defender um “ESTATUTO DO EDUCADOR” rebaixado. Nem mesmo após costurar um acordo com o palácio dos Leões que preferiu decidir sobre a possível aprovação após o pleito do ano que vem, pois o pepino cairia no colo de Flávio Dino, claro, caso fosse eleito.

A decisão de greve foi tomada à revelia da maioria dos trabalhadores, pois não houve a discussão nas bases a proposta - rebaixada e favorável ao executivo estadual -, uma manobra similar o que José Reinaldo Tavares fez quando governador que aprovou a “lei do cão” no fim de seu mandato para beneficiar o governo de Jackson Lago (2007) é isso que fica claro com a atitude defendida pela atual gestão e a que toma posse neste mês de abril/2013.

Assista os vídeos com trechos  da “assembléia regional“ ocorrida em São Luís:



fonte: blog do MRP

Engana-se a direção pelega do sindicato que os militantes do PSTU e MRP vão se abster de entrar na greve juntamente com a categoria, mas entraremos para defender os interesses dos professores por conquistas e não esse “estatuto” que tem por objetivo proteger um futuro “governo” que não existe e atacando os direitos dos trabalhadores com o falso discurso de que o que se quer está dentro das possibilidades concretas a serem conquistadas.



sábado, 6 de abril de 2013

CORRUPTO NÃO FAZ GREVE*

Maria Lucia Fattorelli
Coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida
27/2/2012

Será que os professores do setor público federal, estaduais e municipais que recentemente fizeram longas greves são irresponsáveis? Os médicos e residentes de instituições públicas que paralisaram suas atividades em ato grevista por melhores salários e melhores condições de trabalho são desumanos? Os bombeiros que também fizeram greve são desleais? E agora os policiais grevistas são criminosos? E tantas outras categorias do Judiciário, da Fasubra, Fenasps, os aeroviários, bancários, correios, que também realizaram movimentos grevistas?
O que tem levado todos esses trabalhadores a enfrentar longos períodos de greve?
Para responder a essa questão é necessário analisar a situação remuneratória dos trabalhadores do setor público no Brasil.
Desde o Plano Real, a participação dos “Gastos com Pessoal” na Receita Corrente Líquida da União vem caindo. Se comparado com o PIB, chega-se à mesma conclusão.
Portanto, a riqueza nacional tem crescido, mas a remuneração dos servidores não tem acompanhado esse crescimento. As principais medidas que provocaram essa queda real estão relacionadas com o denominado Plano Real.
Com o intuito de “combater a inflação”, a Medida Provisória que instituiu o Plano Real proibiu a indexação e a atualização monetária automática1, o que atingiu principalmente os salários que ficaram literalmente congelados durante anos.
Nos Estados e Municípios a situação dos servidores tem sido ainda mais grave, pois além da desindexação automática, em 2000 foi editada a “Lei de Responsabilidade Fiscal”2, que estabelece limites para “Gastos com Pessoal”. Tal lei tem sido usada pelo governo como o principal argumento para negar os justos reajustes salariais reivindicados pelas diversas categorias de trabalhadores do setor público.
Além do congelamento dos salários, a tabela do Imposto de Renda das Pessoas Físicas – IRPF, que tributa os trabalhadores - também ficou congelada. Dessa forma, pífios reajustes que eventualmente tenham sido obtidos com muita luta por categorias de servidores têm sido em boa parte confiscados. A simples omissão do governo em corrigir a tabela do imposto de renda faz com que o trabalhador passe a pagar mais imposto, ainda que o reajuste obtido não signifique uma modificação em sua condição econômica, e sequer recomponha a inflação do período. Desde 1996, a defasagem da tabela do IRPF já supera a casa dos 50%, ainda que consideradas as atualizações ocorridas no período.
Como se não bastassem os baixos salários e o confisco, os servidores públicos ainda padecem das péssimas condições de trabalho, comprometendo a qualidade do serviço prestado e a qualidade de vida tanto dos usuários, mas principalmente dos servidores que acabam se desdobrando e até colocando recursos pessoais para realizar suas atividades: quantos médicos conhecemos que financiam o exercício de suas atividades no setor público com carga dobrada em outro trabalho? Quantos professores compram com seus próprios salários materiais que deveriam ser fornecidos pelas escolas? Tais atos heroicos, dentre muitos outros, já se tornaram corriqueiros e “mantêm a máquina funcionando”.
Em determinado momento, o salário fica tão defasado e as condições tão aviltantes, que os trabalhadores precisam se organizar para reivindicar seus direitos. As negociações administrativas raramente avançam, pois todas as limitações legais são jogadas na mesa e barram todo e qualquer pleito e reivindicação. Os dados refletem a situação de arrocho em que se encontram os trabalhadores do setor público desde o Plano Real, a exemplo dos gráficos antes demonstrados, relativos ao setor federal. Esgotadas as possibilidades de negociação, não resta outra saída senão a greve – direito consagrado aos trabalhadores.
Autoridades do Partido dos Trabalhadores e demais partidos da base do governo (federal e estaduais) têm criminalizado o movimento grevista ou levado categorias ao esgotamento e quase desmoralização depois de meses de greve sem o atendimento de quaisquer pleitos. Quando o PSDB era governo federal fazia o mesmo, e nos Estados também. Portanto, a política aplicada contra os direitos dos trabalhadores tem sido a mesma desde o Plano Real, não importa o partido.
Enquanto os trabalhadores permanecem na penúria, a situação se modificou para outro setor econômico: os bancos. Esses sim, tiveram lucros crescentes, muito superiores à variação do PIB

A recente CPI da Dívida Pública denunciou que os detentores de quase todos os títulos da dívida pública brasileira estão no setor financeiro.
Esse setor não precisa fazer greve, pois detém inúmeros privilégios “legais” que lhes garante atualização monetária automática generosamente calculada por índice superior à inflação oficial, sobre a qual ainda se multiplicam os altos juros reais, além de benesses tributárias e muitos outros privilégios, garantindo-lhes lucros crescentes, conforme demonstrado no gráfico acima.
Esse conjunto de privilégios que asseguram a destinação da maior parte dos recursos para a dívida denominamos “Sistema da Dívida”. Cabe ressaltar alguns desses privilégios:
 Ausência de limites para os gastos com juros na “Lei de Responsabilidade Fiscal”:
A “Lei de Responsabilidade Fiscal” não estabelece limite algum para o custo da insana política monetária em prática no País, que privilegia o pagamento de elevados juros. Pelo contrário, a referida lei determina que o Tesouro Nacional é obrigado a arcar com todo prejuízo do Banco Central. Mais uma vez quem paga a conta somos nós, pois daí vem os contingenciamentos e emissão de mais dívida para pagar juros. Em 2009 o prejuízo do Banco Central chegou a R$ 147 bilhões. Em 2010, cerca de R$ 50 bilhões.
 Afronta à Constituição Federal:
Embora a Constituição Federal proíba expressamente a emissão de títulos da dívida para o pagamento de despesas correntes, as investigações técnicas que realizamos na CPI da Dívida Pública provaram que o governo tem emitido novos títulos para o pagamento de grande parte dos juros.
 Atualização Monetária automática para a dívida:
A partir do “fim” da atualização automática no país, decretada pelo Plano Real, a dívida pública continuou sendo atualizada automaticamente. Ou seja, a partir de 1995, enquanto os salários dos trabalhadores ficaram congelados, a atualização da dívida pública tem sido feita de forma automática, mensalmente, e por índices calculados por instituição privada (Fundação Getúlio Vargas) que tiveram variação muito superior ao índice oficial de inflação do país (IPCA)3.
Além dessa robusta atualização monetária automática, sobre o montante corrigido mensalmente, incidem as taxas de juros mais elevadas do mundo, o que torna a dívida brasileira a mais cara do planeta.
Os exemplos citados permitem constatar que os direitos dos rentistas estão acima das disposições Constitucionais, acima das restrições da “Lei de Responsabilidade Fiscal” e acima da necessidade de atendimento aos Direitos Humanos no Brasil.
É por isso que vivemos um grande paradoxo em nosso país: ao mesmo tempo em que somos a 6a. potencia mundial, somos um dos países mais injustos do mundo, ocupando a 84a. posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) medido pela ONU.
Essa política de atualização automática para a dívida acrescida de juros exorbitantes e ausência de limites tem provocado o crescimento acelerado da dívida pública brasileira, que já supera os R$ 3 trilhões ou 78% do PIB, e consome quase a metade dos recursos da União4.
Os dados falam por si. O gráfico a seguir demonstra para onde estão indo os recursos desde o Plano Real: o pagamento de juros e amortizações da Dívida Pública tem tido prioridade absoluta, em detrimento de todas as demais necessidades sociais.


Devido à impressionante diferença de tratamento entre a destinação de recursos aos pagamentos do serviço da dívida em relação aos demais gastos sociais, é flagrante o descolamento dos gastos com juros e amortizações enquanto os demais gastos crescem muito menos. Os gastos com pessoal mal acompanharam o crescimento vegetativo da folha de pagamentos decorrente de novas contratações e reposicionamento por promoções.
O Brasil é de fato uma potência. Recursos existem, e estão sobrando para o setor financeiro, canalizados por meio do “Sistema da Dívida”. Ao mesmo tempo, Direitos Humanos são aviltados, transformando o Brasil em um dos países mais injustos do mundo. As privatizações continuam a todo vapor5. Os servidores públicos têm sido continuamente prejudicados com a negativa de reajustes salariais, condições de trabalho aviltantes, direitos trabalhistas usurpados, previdência pública sendo privatizada e transformada em fundos de pensão justamente quando estes estão quebrando no mundo todo, enfim, os trabalhadores que possuem a responsabilidade de prestar um bom serviço ao público que paga elevados tributos em nosso país não podem se conformar com esse injusto quadro.
Dedico esse estudo a todos os trabalhadores que se organizam, mostram a cara, e vão à luta por seus direitos, buscando garantir o sustento de suas famílias e defender a dignidade do próprio serviço público que beneficia toda a sociedade. Merecem todo respeito aqueles que trilham o difícil caminho da luta cidadã, e não se deixam corromper pelo “Sistema”.

________________________________________

1- Medida Provisória nº 2.074-73, Art. 1º: As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exequíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal.
Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de:
(...)
II - reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza;
2- Lei Complementar 101/2000.

3- A dívida federal tem sido atualizada automaticamente, mensalmente, pelo IGP-M. A dívida dos estados (com a União) tem sido atualizada automaticamente, mensalmente pelo IGP-DI. Ambos são calculados pela FGV e suas variações no período foram muito superiores ao IPCA.
4- Em 2011 a dívida consumiu 45,05% dos recursos do Orçamento Geral da União. Gráfico em www.divida-auditoriacidada.org.br
5- Ver “A Privataria do PT” em www.divida-auditoriacidada.org.br
* texto completo com gráficos clique AQUI:


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Suzano derrubar árvores frutíferas para proteger plantação de eucalipto



Moradores do povoado Trecho Seco município de Cidelândia estão indignados com uma decisão da empresa  prestadora de serviço a Suzano e é a responsável por cuidar da fazenda de eucalipto.

Desde o inicio da semana dois tratores estão derrubando  uma grande plantação de árvores frutíferas que fica no terreno entre o quintal das casas e a plantação de eucalipto.

Arvores  antigas cheias de frutas  vão para o chão em minutos.
   
   

Ao longo de mais de um quilometro nenhuma plantação fica de pé.
A limpeza  comove e emociona  quem   tinha a área como um pomar....
Os moradores contam que foram surpreendidos com a decisão da empresa de limpar o terreno entre as casas e a plantação de eucalipto para fazer uma cerca dividindo  o espaço.Alguns quintais vão diminuir em até 2 metros com a cerca. 

Essa dona de casa ficou sem o banheiro.
As  famílias não tem a documentação dos terrenos, mas dizem que vão procurar a justiça.



A  cerca vai passar pelos fundos de aproximadamente 100 casas.
Em toda essa extensão  há lamento dos moradores.
 
Esse morador diz que as arvores  representavam acima de tudo uma proteção aos famílias, que constante tem  problemas  de saúde  provocados pelo tratamento do eucalipto. 
“o eucalipto é tratado com agrotóxico e quando eles colocam os moradores sentem falta de ar e tontura”. 

O gerente administrativo da empresa enflores que presta serviço a Suzano dona da plantação de eucalipto, disse que são os moradores que estão dentro dos limites da área da empresa.E que o serviço não vai parar. 

DOCUMENTÁRIO: A Servidão Moderna

A servidão moderna é um livro e um documentário de 52 minutos produzidos de maneira completamente independente; o livro (e o DVD contido) é distribuído gratuitamente em certos lugares alternativos na França e na América latina. O texto foi escrito na Jamaica em outubro de 2007 e o documentário foi finalizado na Colômbia em maio de 2009. Ele existe nas versões francesa, inglesa e espanhola. O filme foi elaborado a partir de imagens desviadas, essencialmente oriundas de filmes de ficção e de documentários. 

O objetivo principal deste filme é de por em dia a condição do escravo moderno dentro do sistema totalitário mercante e de evidenciar as formas de mistificação que ocultam esta condição subserviente. Ele foi feito com o único objetivo de ATACAR DE FRENTE A ORGANIZAÇÃO DOMINANTE DO MUNDO.

Não devemos deixar que o inimigo nos vença, as antigas discussões de capela no campo revolucionário devem, com toda nossa ajuda, deixar lugar à unidade de ação. Deve-se duvidar de tudo, até mesmo da dúvida.


Fonte: Youtube

terça-feira, 2 de abril de 2013

SUZANO, SEMA, AMBIENTALISTAS, ANA, RIO TOCANTINS E A SUSTENTABILIDADE DO CAPITAL

Quando do anúncio do empreendimento da construção da fábrica de celulose em Imperatriz ao lermos o EIA-RIMA no ponto que falava da capitação da água para suprir as necessidades de produção da fábrica, onde tinha como principal fonte o riacho Cinzeiro, observamos da inviabilidade do riacho servir de água à fábrica e que por trás estava o interesse do uso hídrico do rio Tocantins, mascarado naquele momento com a concessão pela Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão - SEMA. Tampouco o EIA-RIMA contempla os estudos dos impactos diretos ao rio Tocantins, pois todo ele foi direcionado aos seus afluentes.


A questão do abastecimento de água é crucial para o empreendimento do tipo que a Suzano está implementando, vários outros debates foram travados com relação a este assunto no Maranhão, um deles é o texto publicado no blog Território Livres do Baixo Parnaíba: O LUGAR DASUSTENTABILIDADE NOS PROJETOS DA SUZANO PAPEL E CELULOSE e  aqui mesmo em nosso blog: SUZANO E AS ÁGUAS DO MARANHÃO 


O caudaloso rio Tocantins já é superexplorado ao longo de seu curso, principalmente para a geração de energia com várias usinas já instaladas e outras planejadas como mostra o documentário “Rio Afogado”(vídeo abaixo), poluição de esgoto sanitário das cidades ribeirinhas que são jogados diretamente em seu leito assim como ocorrem em Imperatriz, uma das maiores, e mais recentemente receberá os resíduos da produção da Indústria Suzano e outras empresas químicas que também se instalarão na região.


Vídeo retirado do youtube
Diante desses fatos vemos ONG’s e ambientalistas conhecidos sendo cooptados pelo empreendimento com financiamento de projetos de educação ambiental, reflorestamento e de “proteção” do rio Tocantins, desde que, a luta pela conservação desse tão importante rio não esbarre nos interesses da empresa em explorá-lo e usá-lo como canal de despejo dos resíduos da produção. 

A construção da fábrica em si iniciou ainda em 2011 com a outorga pela SEMA para uso da água do riacho Cinzeiro e do lençol freático de responsabilidade do Estado – coisa que não seria usado – e apenas em 2012 as outorgas para lançamento (retorno da água utilizada na produção) e capitação foram concedidas(veja cópia do documento clicando aqui). Certos de que o IBAMA e sua Agência Nacional de Águas - ANA, responsável da outorga de licenciamento para o uso de recursos hídricos de competência da União fosse expedido, coisa que a empresa já tinha certeza que seria, pois se assim não fosse, antes de qualquer anuncio teriam as concessões ambientais nas mãos.


Veja o que está selecionado no quadro de Lançamento e Capitação da água: “Concentração de DBO-Demanda Bioquímica de Oxigênio”  é a medida de matéria orgânica que precisa ser oxidada por decomposição microbiana aeróbia para uma forma inorgânica estável, Essa decomposição se dá da retirada de oxigênio da água de um rio.

Ai você compara o DBO da água capitada com a da água lançada ou da “água” é que fruto do processo de produção da indústria. Veja que esse líquido tem baixo nível de DBO para decompor a matéria orgânicos – sem contar os químicos – contidos nos resíduos da produção da Suzano.

veja os níveis de DBO, segundo a Cetesb/SP:

“Os maiores aumentos em termos de DBO, num corpo d’água, são provocados por despejos de origem predominantemente orgânica. A presença de um alto teor de matéria orgânica pode induzir ao completo esgotamento do oxigênio na água, provocando o desaparecimento de peixes e outras formas de vida aquática.

Um elevado valor da DBO pode indicar um incremento da microflora presente e interferir no equilíbrio da vida aquática, além de produzir sabores e odores desagradáveis e, ainda, pode obstruir os filtros de areia utilizados nas estações de tratamento de água”

O rio Tocantins faz parte de um plano de exploração bem maior, outras obras que terão um grande impacto como os projetos que possibilitarão sua trafegabilidade, possibilitando alternativa de escoamento de produção em toda sua bacia Tocantins-Araguaia, dando totais condições ao “desenvolvimento” dessa região que tem grande potencial econômico ainda de madeira, pois está próxima a reservas indígenas quem passam a cada dia estarem ilhadas ao avanço dos grandes empreendimentos rumo à Amazônia.

A propaganda de um “desenvolvimento sustentável” fica cada vez mais evidente que não pode se concretizar dentro do meio de produção capitalista, a sustentabilidade buscada pelos governos neoliberal que governam o país até hoje procura garantir a todo custo a visão de um país como um campo de grande potencialidades de exploração dos seus recursos naturais, assim, garantindo a sustentabilidade dos lucros do capital estrangeiro e da pequena elite brasileira. Esse movimento é inevitável, necessário e primordial para os governos que representam os interesses do capital, pois os resultados imediatos são um aumento da atividade econômica e por conseguinte de vagas de trabalho, mas com consequências devastadoras para o meio ambiente e para as populações que serão expulsas para as cidades já sem infraestrutura básica.