domingo, 9 de fevereiro de 2014

PSTU lança Saulo Arcangeli pré-candidato a Governador nesta quarta

Atividade contará com a presença de Zé Maria, pré-candidato do Partido à Presidência

Nesta quarta-feira, dia 12 de fevereiro, o PSTU Maranhão fará em São Luís o lançamento oficial da candidatura do servidor público federal e professor universitário Saulo Arcangeli ao governo do Estado. A atividade iniciará a partir das 9 horas com uma coletiva à imprensa na Assembleia Legislativa e logo após às 10h30 ocorrerá um ato político no auditório do Sindicato dos Bancários no Centro.

Saulo Arcangeli, pré-candidato do PSTU
A candidatura de Saulo, um ativista presente nas principais lutas que ocorreram no Maranhão nos últimos anos, é a expressão no campo eleitoral das reivindicações dos trabalhadores e da juventude maranhense que desejam não só o fim de uma Oligarquia, mas também buscam construir um Maranhão livre do latifúndio e do coronelismo.

Ao mesmo tempo, o PSTU mantém o chamado feito ao PSOL e PCB no sentido da constituição de uma Frente de Esquerda que apresente uma única candidatura ao Governo do Estado em 2014.

Lançamento da pré-candidatura de Zé Maria à Presidência da República

Zé Maria estará em São Luís nesta quarta (12)
Estará presente também o presidente nacional do Partido, o metalúrgico Zé Maria de Almeida, que é o pré-candidato do PSTU à Presidência da República. “Minha candidatura parte da necessidade de apresentar uma alternativa de classe e socialista perante as candidaturas da presidente Dilma Roussef (PT) e os candidatos da direita representados pelo PSDB de Aécio Neves e o PSB de Eduardo Campos” afirma Zé Maria.

Segundo o pré-candidato do PSTU, estes dois campos políticos, no entanto, representam o mesmo modelo econômico e o mesmo projeto para o país, que privilegia os bancos, grandes empresas e o agronegócio em detrimento das necessidades e reivindicações dos trabalhadores, do povo pobre e da juventude.

Quem é Saulo Arcangeli?

Candidato a governador do Estado pelo PSOL em 2010, saiu deste partido em 2011 e ingressou no PSTU, por onde foi candidato a vereador de São Luís em 2012. Servidor público federal do Ministério Público da União e professor universitário da UEMA, é dirigente sindical do Sintrajufe e da CSP Conlutas, Central Sindical e Popular.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

“O retorno a Marx”? Como retornar a alguém que sempre esteve aqui?

Jean Paulo Pereira de Menezes
A revista Time de total defesa do capitalismo, publicou em sua capa de 13 de fevereiro de 1948 uma imagem de Karl Marx, com olhos vermelhos e diante de um caldeirão em chamas, bem sugestiva de uma espécie de satanização política. A mesma revista em 25 de março de 2013 publica “Marx’s Revenge: How Class Struggle Is Shaping the World” (A revanche de Marx: como a luta de classes está moldando o mundo).  No mesmo ano de 2013, outra revista, The Economist, publica: “What would Marx say?” (o que Marx diz?). Parece que o retorno a Marx é inconteste até mesmo pelos veículos de comunicação fetichizados do próprio capital. Poderia continuar a introdução deste artigo citando centenas de revistas e jornais de circulação internacional que satanizam Marx e que em momentos de crises acabam por recorrer ao seu próprio demônio, pois este apresenta elementos de luz que até mesmo os mais conservadores são incapazes de ignorar plenamente.


Trata-se de algo importante pois estes veículos são os mesmo que procuram educar seus leitores sobre a obsolescência do pensamento de Marx e que a luta de classes é algo ultrapassado para o século XXI. É evidente que a afirmação é falsa e que Marx jamais foi enterrado e sim temido e vilipendiado diuturnamente.
Recentemente, um sério jornalista de uma tabloide de grande circulação no interior paulista me perguntou sobre a contribuição de Marx para atualidade, pois o jornal faria uma matéria sobre este pensador por conta do quinto ano do Seminário de Estudos Marxistas (SESTMARX) realizado pelo Jornal Brado Informativo no interior paulista. Achei muito estranho, pois o tabloide que me refiro é altamente conservador e, sobretudo oportunista. Parece que Marx está sendo “redescoberto”, sobretudo pelos veículos de comunicação em massa tradicionalmente reacionários.
Marx marca toda História das ciências humanas, da passagem do final do século XIX até hoje. É um autor que está presente, praticamente, em todas as esferas da sociabilidade do ser (aspecto ontológico), seja para afirmá-lo ou negá-lo. O motivo: sua obra fala de algo que não se esgotou, fala das formas de reproduzir a vida na sociedade capitalista e ainda hoje o modelo que vivemos é o capitalista. Entre vários fatores temos assim um elemento importante para compreendermos Marx diante do pensamento contemporâneo.
Trata-se de uma influência de perspectiva ontológica, ou seja, de buscar entender o ser social, em sua totalidade (algo bastante negado por muitos intelectuais) e tendo como elementos fundamentais o trabalho e a revolução. Marx não era um intelectual acadêmico, não sofria do mal que identificamos hoje: a compartimentação do conhecimento, os prazos de agências de fomento a pesquisa acadêmica/cientifica ou mesmo a História em migalhas. Marx investiga o ser na tua totalidade, ele se preocupa com as várias esferas da sociabilidade humana. Para Marx o homem interessa como ser na sua totalidade[1] e não apenas o homem que escreve, o homem que trabalha, o homem que domina, o homem que luta. A totalidade, Gesamtheit (MARX, 1859:05), é central no pensamento marxiano. Acredito que esta perspectiva ajuda pensarmos por que este autor é referendado (de forma negativa ou mesmo positiva) na filosofia, na ciência política, na psicologia, historiografia, geografia, economia, ciências sociais, enfermagem, medicina, literatura, governos, etc.
Há sem dúvidas um redescobrimento, um clássico sempre provoca esse comportamento de retour (retorno) com o decorrer do tempo histórico. Nas últimas décadas muitas pessoas, sobretudo ligadas a uma perspectiva política conservadora, vêm afirmando um “retorno” de Marx. Diria que não se trata de um retorno da direita a Marx, mais sim de um curvar-se diante de Marx, pois sabem que a crise do capitalismo é estrutural e imanente ao capitalismo. Para isso devem se curvar diante da maior obra de Marx, que não se chama “O Comunismo”, e sim: O Capital!
Vejamos, isso é muito interessante, pois ao fazerem esse “retorno” a Marx, muitos apologetas do capitalismo recorrem a Marx com a intenção de entenderem a crise, mas o que constatam é uma imanência dela (da crise) e não uma receita de como sair da crise na perspectiva do capitalista. É importante registrar que o pensamento de Marx (que nunca foi apenas um intelectual e sim um dirigente político que pesquisava o mundo que propunha transformar) e Engels contribui para estruturar apenas parte dos modelos ditos socialistas no século XX, pois o que se registrou na História (URSS) não é obra assinada por Marx e Engels e sim por uma vasta tradição marxista que em grande parte vulgarizaram o pensamento marxiano (Stálin é o maior exemplo de deturpação). No que tange a contribuição de Marx para o futuro do capitalismo ele mesmo (Karl Marx) é enfático quando afirma que seus estudos devem servir de arma para a classe trabalhadora fazer a revolução proletária, ou seja, a destruição do modo de reproduzir a vida no capitalismo.
Acho bastante infantil quando Antonio Delfim Netto[2] (professor catedrático da USP) apresenta um Marx analista financeiro e com indicações para o desenvolvimento de um capitalismo mais humano. Um dos centros do pensamento de Marx é justamente demonstrar que o modelo capitalista é fundamentalmente anti-humano e necessita da exploração para se reproduzir. Ou seja, esse retorno a Marx acontece também de forma desviada, destorcendo (assim como em partes da URSS) o que Marx passou estudando e organizando a vida toda.
Há no imaginário social há uma visão de que é a esquerda que governa o Brasil. Que o Partido dos Trabalhadores é um partido de esquerda. Na perspectiva marxiana o PT jamais governou para os trabalhadores… É no mínimo um insulto a classificação do PT como um partido de esquerda. Entretanto isso é um fato… A maioria absoluta da população ainda identificam os partidos de frente populares (emblematicamente o PT no Brasil) como sendo organizações de esquerda, e não vai ser um ou todos os textos do Marx que mudará esta leitura. Estes governos de frente popular provocam um estrago tremendo na organização da classe trabalhadora, pois é uma prática deste tipo de governo cooptar os movimentos populares para fazerem uma gestão de colaboração de classes. Alguns milhões para o social e outros bilhões para os capitalistas (…) Definitivamente isso não é Marx! Muitos estudos sobre Marx são sólidos no Brasil, mas há inda muita vulgarização. E muitas delas são propositais.
Em alguns círculos intelectuais universitários, altamente incomodados com Marx, postulam que a esquerda (genericamente) não sabe o que fazer com o pensamento de Marx. Apenas em partes concordo com a afirmação de que a esquerda não sabe o que fazer com Marx, pois a análise de Marx é feita em um dado momento do mundo e que não adianta querer que Marx nos fale o que fazer com a internet hoje, ou, com o Sistema Único de Saúde, que não funciona plenamente; ou, com a Lei de Diretrizes e Bases para educação no Brasil. Mas o eixo central de Marx ainda é radicalmente atual. A raiz do pensamento do Marx é o modo de produção capitalista… E, a essência desta forma de reproduzir a vida não mudou nada, assim com a essência categorial de outros clássicos até mais antigos do que o próprio Marx. Generalizar que a esquerda não sabe o que fazer com Marx é muito frágil, sobretudo porque é necessário esclarecer o que é essa esquerda intelectual tão citada genericamente. Diria, “parte” da esquerda está perdita sim, na verdade sempre estiveram. A recepção de Marx, por exemplo, na América é muito complexa, pois a leitura de Marx vem recheada de positivismo, de imobilismo histórico, de futurologias e muitas vezes antidialética. Penso que hoje as importantes contribuições do passado estão recebendo a análise critica que merecem o que é bastante razoável, pois a História é o constante movimento, não estamos parados… Marx, e outros autores, como Lênin, Trotsky, Rosa de Luxemburgo, Gramsci, jamais serão sepultados facilmente.
Diante de todos os discursos sobre um determinado retorno a Marx, atualmente no Brasil, os leitores já podem conhecer um pouco mais da história deste autor tão negado e afirmado.  Trata-se de uma biografia escrita pelo Franz Mehring que é considerada a melhor escrita até hoje em todo o mundo na perspectiva de limitantes como Rosa de Luxemburgo. O trabalho de Mehring é altamente refinado, sua estética é realmente encantadora. Não se apresenta um Marx santificado, um deus… não… apresenta o Marx como ser social… com críticas e reconhecimentos. Compreende o que muitos biógrafos não foram capazes, pois ele capta o Marx em sua essência: Crítico, Radical e Revolucionário. Muitos biógrafos de Marx quebram essa tríade para atenderem o mercado editorial (sobretudo o caráter revolucionário do pensamento de Marx). Não é o caso dessa biografia. Como não alivia para o lado de Marx… realmente é um trabalho sério e que recomendo a leitura. Está biografia fora escrita há décadas e apenas agora temos uma tradução para o português aqui no Brasil, mérito que faço questão de reconhecer a Editora Sundermann. Agora podemos ter acesso à biografia mais comentada e que apenas em 2013 fomos capazes de trazer a público (apenas uma sugestão para conhecermos o “retorno” de quem sempre esteve presente).
Se concordarmos que o trabalho escravo ainda existe; que a exploração do trabalhador ainda é um fato; que as relações jurídicas não estabelecem plenamente a igualdade postulada pelo iluminismo; que se os capitalistas, por um ataque moral resolvessem ajudar o mundo e segundos depois capitulassem ao constatarem que todos faliriam; que o salário não é algo justo; que o mundo produz três vezes mais a sua capacidade de consumo, mas não pode socializar a produção e evitar a fome… etc; diria que Marx ainda é atual.
Considerando que a maior parte dos textos do Marx (obras completas) jamais foram publicadas, acredito também que ainda teremos muito o que conhecer e aprender com Marx, um autor que sempre esteve presente nos últimos séculos em toda cena humana e desumana. Desta forma o retorno a Marx é o mesmo que afirmar a volta dos que não foram!
Referências bibliográficas:
KARL Heinrich Marx. Cover. Time. Disponível em: <http://content.time.com/time/magazine/0,9263,7601480223,00.html>. Acesso em:  06/12/2013.
MARX, Karl. Contribuição à Crítica da Economia Política. São Paulo: Editora Expressão Popular,2008.
MARX, Karl. Zur Kritik der Politschen Ökonomie. Werke, v. 13. Erschienen 1859 bei Franz Duncker, Berlin.
MARX’S Revenge: How Class Struggle Is Shaping the World. Time Magazine. Disponível em: <http://business.time.com/2013/03/25/marxs-revenge-how-class-struggle-is-shaping-the-world/>. Acesso em:  06/12/2013.
WHAT  would Marx say?. The Economist. Disponível em: http://www.economist.com/blogs/certainideasofeurope/2008/10/what_wouldmarx_say?zid=309&ah=80dcf288b8561b012f603b9fd9577f0e>. Acesso em:  06/12/2013
Notas:
[1] Totalidade, em alemão: Gesamtheit. Marx se refere à totalidade das relações entre as partes que constituem o todo social, histórico, em constante movimento e transformações complexas, não se limitando a apenas relações mecânicas de ligações entre as partes que formariam um todo.
[2] Basta acompanharmos a coluna que este escreve às quartas- feiras (página A2) do empedernido tabloide burguês Folha de S. Paulo, ou mesmo no jornal Valor Econômico de igual preocupação política do tabloide.

Fonte: Blog da Convergência