sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Concentração de renda: essência do capitalismo

     Por Claudio Pereira

O senso comum vigente na ordem socioeconômica é de que todos os problemas do sistema derivam dos políticos corruptos, que se existissem políticos honestos, tudo estaria resolvido. Não que eu queira defender político, seja de que índole for, mas apontar que os mesmo servem de bode expiatório para as mazelas do sistema. Retire o político corrupto do caminho e tudo estará resolvido! Será? Parte da população crê no discurso falacioso e espera por um político honesto, outra já se entregou e relegou aos céus a solução do problema. O trabalhador é um descrente na sua própria força de transformação da desordem socioeconômica em que vive. Os intelectuais do capital estão a plantar ideias cotidianamente na cabeça do pobre operário que confuso não sabe pra onde ir e em quem acreditar.
As pessoas por ignorância, por cumplicidade, por preguiça não percebem que o sistema econômico é o real problema e não decifram o ninho de cobra do capital. O que dizer de um “artista” medíocre fabricado pela indústria do “entretenimento” que se desloca lá do Centro-Sul aqui para o Norte e em uma hora e meia recebe 200 ou 300 mil reais para realizar um show medíocre no qual quem paga o ingresso em sua maioria são trabalhadores assalariados que dão duro dá madrugada ao pôr do sol? Para onde vai o dinheiro? Isto é uma forma não tão sofisticada de se apropriar da renda dos trabalhadores. Fato não tão diferente ocorre no futebol, onde bons jogadores enriquecem a si, mas acima de tudo grandes grupos econômicos ou empresários obesos donos de seus passes são os que realmente faturam, já que ficam com a parcela maior das transações. Um pouco diferente, mas dentro do esquema de concentração de renda está a apropriação de invenções alheias. O mineiro Nélio José Nicolai, para quem não conhece, é o inventor do BINA, sistema que permite identificar a origem das ligações do seu aparelho telefônico. Grandes transnacionais do setor de telecomunicações se apropriaram do seu invento, faturaram e ainda faturam bilhões e há décadas que o mesmo luta para ter seu direito de patente e autoral reconhecidos. É assim, quando não encontra um “artista” ou desportista pra faturar em cima do povo, o capitalista se apropria na força, na demagogia, na pilantropia.    O que tem de empresários do setor educacional faturando com o PROUNI. Muitos vendem sonho e entregam pesadelos. É antagônico ver o MEC fechar faculdades que ele mesmo credenciou e financiou bolsas.
Antes que eu esqueça, está aberta a temporada 2014 do Big Hermano, aquele programa onde algumas pessoas “muito”politizadas são enclausuradas numa casa luxuosa, farreiam, e ainda concorrem a prêmios milionários e conta com uma grande audiência de milhões de trabalhadores que acordam cinco da manhã, pegam de quatro a seis conduções caras e desconfortáveis para ir e retornar do trabalho, que compram TV’s a prestação e ainda pagam uma conta de energia abusiva. Quem se estressará no final das contas? O fofoqueiro parasita ou o operário produtivo?

Se formos citar exemplos de esquemas de concentração de renda não vai faltar FIES, PROUNI, divida interna pública, copa, Lei Kandir etc., a principal meta deste ensaio é divulgar os absurdos no que tange o potencial de concentração de renda do capitalismo. A última bomba neste contexto foi vulgarizada em face de um levantamento feito pela organização de caridade *Oxfam que apontou que os 85 mil indivíduos mais ricos da terra tem renda igual a dos 3,5 bilhões mais pobres. Que 1% da população mundial é dona de 50% da riqueza produzida no planeta.

Não dá para trabalhadores desempregados ou assalariados disputar a propriedade privada com indivíduos que se divertem com os bilhões que multiplicam sem muito esforço, anualmente. O resultado desse absurdo se traduz na qualidade de vida da população cada vez mais estressada e endividada. Do outro lado, gastos supérfluos e programas de TV imbecilizantes simbolizam a desigualdade e concentração de renda.
Para encerrar faço duas observações: a primeira é sobre a Oxfam Internationalque é uma confederação de 13 organizações e mais de 3000 parceiros, que atua em mais de 100 países na busca de soluções para o problema da pobreza e da injustiça, através de campanhas, programas de desenvolvimento e ações emergenciais. Apesar da mesma divulgar dados sobre concentração de renda, acho seus métodos poucos significativos para derrubada da desigualdade vigente no mundo. A segunda é que para evitar um possível mal entendido, divulgarei um texto específico sobre o PROUNI, programa educacional que insere alunos de baixa renda em faculdades privadas, mas dentro da lógica de concentração burguesa.

2 comentários:

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  1. Camarada Claudio,
    Realmente a classe trabalhadora atual está num dilema, a grande massa perdeu sua identidade, vêem uns aos outros como concorrentes entre si e nessa concorrência os capitalistas acabam ganhando ainda mais. A concentração de renda e a grande distancia entre os mais ricos - poucos - e o mais pobres - a esmagadora maioria - pensa, olha e age como se fossem pequeno-burgueses por estarem consumindo o que as propagandas e os governos dizem a eles que os farão pertencentes à outra classe, a classe média, como se pertencer à classe média fosse um passaporte pra se tornar um burguês. Precisamos cada vez mais levar ao debate à nossa classe o poder que temos para a transformação social, isso parte por reconhecermos o poder que a ideologia neoliberal tem sobre os trabalhadores, com raríssimas exceções.

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  2. E a essência do comunismo é a miséria, como vemos nas experiências comunistas.

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