domingo, 12 de janeiro de 2014

CAPITALISMO E SUA ESTRATÉGIA DIVISIONISTA

O capitalismo conseguiu assegurar muitos de seus objetivos como sistema econômico e ideológico no decorrer da história da humanidade, seja ao substituir o feudalismo já decadente, seja na divisão da sociedade em classe e o trabalho dos indivíduos (fordismo, toyotismo, etc.). Em seus primórdios conseguiu substituir uma oligarquia de feudos por uma pequena-burguesia de comerciantes e de mestres até os grandes aglomerados financeiros dos dias atuais. Mandel (1981) define assim:

O capitalismo é um modo de produção fundado na divisão da sociedade em duas classes essenciais: a dos proprietários dos meios de produção (terra, matérias-primas, máquinas e instrumentos de trabalho) - sejam eles indivíduos ou sociedades - que compram a força de trabalho para fazer funcionar as suas empresas; a dos proletários, que são obrigados a vender a sua força de trabalho, porque eles não têm acesso direto aos meios de produção ou de subsistência, nem o capital que lhes permita trabalhar por sua própria conta.

Ao passo que a burguesia imperialista caminha para “unidade” do capital, processo que pode possibilitar o controle das nações, que já se encontram dependentes econômica e financeiramente uma das outras, basta observarmos aonde acontece as crises econômicas e quais seus efeitos em outros países, localizados em continentes dos mais distantes.

Nessa perspectiva o capitalismo tem obtido alguns avanços, principalmente com sua propaganda neoliberal, que a nosso ver é uma das mais poderosas ferramentas na luta de classe travada entre burgueses versus operários. Se para Marx (1848) “O capitalismo cria seu próprio coveiro” os burgueses buscam na propaganda e na divisão: do trabalho, das categorias, dos sindicatos o meio de tirar da classe trabalhadora sua consciência, seu reconhecimento como  única classe produtora de riqueza e de sua situação de exploração.

Lendo o texto: “Trabalhadores se revoltam: o grande massacre dos gatos” (Darnton, 1986) um trecho me chamou atenção, não o fato que os trabalhadores descontentes com as condições de trabalho e alimentação numa gráfica da época da França do século XVIII - pré-industrial - ou massacre dos gatos dos arredores da rua Saint Séverin, mas o fato é que naquela época para se conseguir um trabalho era ainda mais difícil, no entanto, nenhum dos operários se submetiam a certos interesses dos patrões como nos mostra a narrativa feita no texto de um estagiário da tipografia, Contat:

Dizem-lhe para jamais trair seus colegas e manter o índice salarial. Se o operário não aceita - um preço (por um serviço) e sai da oficina, ninguém da casa deve fazer aquele serviço por um preço menor. Essas são as leis, entre os operários. A fidelidade e a probidade lhe são recomendadas. Qualquer trabalhador que trai os outros, quando alguma coisa proibida chamada marron (castanha) , está sendo impressa, deve ser ignominiosamente expulso da oficina. Os operários o põem na lista negra, através de cartas circulares enviadas para todas as oficinas de Paris e das províncias... À parte disso, qualquer coisa é permitida: a bebida em excesso é considerada boa qualidade, a galantaria e o deboche feitos juvenis, as dívidas, um sinal de inteligência, a irreligião, sinceridade. Trata-se de território livre e republicano, onde tudo é permitido. Viva como quiser, mas seja um honête homme(homem honesto), nada de hipocrisia. (Darnton,1986, p.119).

Hoje os trabalhadores disputam entre si as vagas de trabalho, nessa disputa não basta oferecer sua força de trabalho (que é igual aos demais trabalhadores de uma categoria), para se “diferenciar” do outro trabalhador ele “aceita” a precarização das condições de trabalho, redução salarial e outros direitos, ou seja, o sentimento de unidade foi quebrado entre eles, e desse rompimento muito se deve creditar ao capitalismo – com sua produção de exercito de trabalhadores de reserva(desempregados) - e sua ideologia neoliberal. O crescimento de um funcionário dentro de uma organização não fica apenas no cumprimento de suas tarefas apenas, os operários são os olhos dos patrões em meios aos seus para certificar que os demais também estejam comprometidos com o lucro do patrão,e, assim, ele vislumbra o reconhecimento dentro da empresa.

Não é incomum encontrarmos em anúncios de vaga de emprego requisito comportamental como: “compromisso com o crescimento rentável e continuo da empresa”, no capitalismo rentabilidade está sempre ligado à redução dos custos de produção para os proprietários dos meios de produção e desse os salários é sempre o primeiro alvo.

3 comentários:

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  1. Claudio Pereira12 janeiro, 2014

    Há um quadro no JH da Globo que expressa bem a domesticação dos trabalhadores aos interesses do patronato. Reiteradamente é passado o perfil do empregado ideal, a forma como ele deve pedir emprego, se vestir, pedir aumento salarial, que curso técnico fazer, ou seja, insinuando a servidão. Para legitimar o discurso, sempre há um especialista, "não se sabe" a mando de quem, reforçando tais orientações.
    Agora pergunte se há fomento para que os trabalhadores questionem seus patrões ou leiam a CLT? Não que eu considere a CLT algo moderno e democrático pois, para mim a mesma não passa de uma consolidação das relações servis da Luta de Classes.
    Se a luta pelo pão é imediata, o mesmo não se pode dizer do combalido judiciário e se o trabalhador se precipitar pela via ilegal, pedrinha nele.

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  2. COMECE UTILIZANDO UM BLOG DE EMPRESA DA URSS FRACASSADA QUE NUNCA CRIOU NADA

    O GOOGLE DEVERIA SER DELETAR TODA ESSA DESGRAÇA DE IDEOLOGIA MARXISTA

    OLHE PARA TODOS ELETRONICOS AO SEU REDOR
    NENHUM NENHUM SAIU DESSA PORCARIA DE REGIME VERMELHO

    NAO SE ILUDAM, SÓ GOZA DO COMUNISMO MEIA DUZIA DE VAGABUNDO DO PARTIDO

    ESQUECE ISSO AI VCS JA FORAM DERROTADOS

    O PRESENTE É CAPITALISTA

    E O FUTURO
    É REMOVER O QUE NAO FUNCIONA
    QUE É O ESTADO

    ATRAVES DO ANARCO CAPITALISMO

    DURAM COM ESSA
    BITCOIN É O FUTURO

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  3. Me admiro com a corragem de vcs, criam um fake com esse nome que parece piada pronta pra críticar e defender o que acham que participam dele - o capitalismo - no sentido de usufruir dele, se usufrui com certeze é um proprietário que rouba a mais valia dos trabalhadores.

    Se o capitalismo é tão bom asism por que precisam se esconder pra dizer isso?

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